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Rio de Janeiro

Estudo da UFRJ aponta que mau cheiro da água da Cedae não foi causado pela geosmina

Alta abundância de bactérias de origem fecal e bactérias degradadoras de compostos aromáticos sugerem contaminação por esgoto doméstico e industrial

Uma análise de pesquisadores da UFRJ feita na Bacia do Rio Guandu chegou à conclusão de que que o gosto ruim e o mau cheiro na água da Cedae sentidos pelos moradores do Rio no começo do ano não eram culpa da geosmina, como diagnosticou a Cedae. A pesquisa, realizada durante três meses pelo Instituto de Microbiologia da UFRJ e divulgada ontem pelo “RJTV”, da TV Globo, aponta forte presença de esgotos doméstico e industrial na água, além de uma substância com estrutura semelhante à da geosmina.

Formado por 123 rios, a Bacia do Rio Guandu abastece 70% da Região Metropolitana, ou cerca de nove milhões de pessoas.

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A laudo técnico elaborado pelo professor Fabiano Thompson afirma que a “alta abundância de bactérias de origem fecal e bactérias degradadoras de compostos aromáticos sugerem contaminação por esgoto doméstico e industrial”. E essas bactérias, afirmam os especialistas, estão presentes em número até mil vezes maior que o tolerado.

Também foram identificadas bactérias entéricas de diversos gêneros que indicariam contaminação por fezes humanas. O documento chama a atenção que a presença de micro-organismos “potencialmente patogênicos e tóxicos na água bruta e no manancial é um alerta para a necessidade de monitoramento dessas águas”.

Material genético

Geosmina (em grego, cheiro de terra) é um composto orgânico produzido por diversos micro-organismos, incluindo cianobactérias. Foi uma das palavras mais repetidas pelos moradores do Rio e cidades vizinhas no último verão, quando a população se deparou com gosto de terra na água que saía de suas torneiras.

—Os organismos que foram encontrados em grande quantidade (pelos pesquisadores da UFRJ) são os causadores de odor e sabor. Inclusive, na época se falou muito que o odor e sabor eram da geosmina. Por esse laudo, foi identificado que não é a geosmina que causou. Era uma outra substância parecida —disse Gandhi Giordano, engenheiro químico da Uerj, em entrevista ao “RJTV”.

Para chegar a esse resultado, pesquisadores da UFRJ se debruçaram sobre o material genético encontrado na água, realizando o sequenciamento de DNA das amostras. A primeira coleta de amostras da Bacia do Guandu para o estudo foi feita em 17 de janeiro.

O governo do estado chegou a anunciar no final de janeiro obras de R$ 92 milhões para evitar um novo verão da geosmina. Mas, a Cedae acabou desistindo das intervenções, que desviariam os poluídos rios Ipiranga, Queimados, Cabuçu e Poços da Estação de Tratamento do Guandu. Em fevereiro, um edital de licitação foi publicado no Diário Oficial. Mas, em 24 de abril, a Cedae comunicou ao Ministério Público sua revogação.

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